____ Needing something different ____

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Suas palmas de congratulações haviam sido verdadeiras, bem... Thomas achava que as transmitia verdadeiramente, embora nunca soube o que era gesticular em tal maneira. Obviamente que a morena logo a sua frente reagiu de maneira brusca como sempre faz quando mesmo ao longe, nota sua presença pouco agradável.
Andrômeda saíra de forma tão apressada, praticamente correndo com passadas pesadas contra o chão, esquecendo-se por completo de algo deveras pessoal. Sua varinha estava guardada firmemente nas mãos brancas, geladas e possuidoras de longos e finos dedos. Embora se sentisse tentado a jogá-la no lago com a intenção de levar a Black ao cúmulo do aborrecimento, e claro, agir feito criança birrenta - simplesmente para saber se a morena apressada mergulharia naquelas águas negras ao resgate de sua varinha ou não – Thomas não o faz. Algo há muito tempo ignorado (consciência) praticamente grita no ouvido do moreno arrogante e pedante, fazendo-o rapidamente esquecer de tal idéia. Apenas estava ali, parado ao lado de uma árvore, com a mão direita estendida... oferecendo de volta, a varinha da menina.
Como não poderia deixar de ser, seu eterno jeito superior para com tudo e com todos, se fez mais presente, fazendo com que o garoto que a minutos antes estava um pouco menos pedante, voltasse a torná-lo com força... passando a proferir as tão costumeiras injúrias para uma Andrômeda já furiosa. Não duvidaria nem um pouco se a mesma o empurrasse tão bruscamente, a ponto de fazer do sonserino um fresco jantar para a Lula Gigante.
- Estou me afastando porquê você invadiu a minha privacidade.
O esguio rapaz apenas arqueia uma das sobrancelhas, expondo seu tão conhecido sorriso repleto de asco, sentindo sua mão ser puxada pela desnecessária brutalidade da garota em ter seu objeto mágico de volta.
Se houvesse tirado a privacidade da garota, a mesma que não ficasse por ali. Reclamar um espaço, sabendo que o mesmo é público aos estudantes, era um pouco demais e difícil de engolir... ao menos para o esnobe e insolente rapaz. Ao ouvi-la proferir tais palavras, Thomas não se contém, e gargalha de forma tão irritante que seria capaz de receber a pior das azarações ali mesmo. Aliás, gargalhava daquela forma tão superior pois sentia um certo prazer em ver nitidamente a irritação daquela garota. Além de achar bonito em vê-la assim, achava graça das tentativas muito em vão, de fazê-lo se sentir diminuto.
- Eu invadi sua privacidade? Garota, em que mundo você vive? Óbvio que nele vive apenas você. Acorde pra realidade, esse é um lugar “público”. Os alunos vêm e vão quando querem. Eu quis... Eu vim. Se está profundamente incomodada, que suma daqui e vá para qualquer outro canto. Você tem livre arbítrio, está fazendo o quê aqui?
Sorri novamente vitorioso, voltando a colocar ambas as mãos dentro dos bolsos de seu negro sobretudo pesado, dando duas passadas para trás e recostando-se na árvore. Seu rosto não se encontrava mirado em direção a uma corvinalense possessa. Simplesmente a havia deixado no vácuo, falando sozinha, enquanto aparentemente postava-se aéreo, olhando fixo para frente, com o rosto parcialmente erguido para cima. Não era preciso dizer que seu ar era pomposo e arrogante, uma vez que isto era por demais aparente. Até demais para ser notado com naturalidade. Chegava a irritar, e era proposital. Nada, absolutamente nada de que Lamberg punha-se a fazer, era por mero acaso. O garoto é calculista, metódico, arquiteta milimétrica e pacientemente tudo o que fará, inclusive expressões faciais com efeito. Sua mente simplesmente não tinha sossego, estava constantemente trabalhando para provocar... irritar, e claro, tirar proveito dos que eram claramente mais fracos que ele. E assim era com Andrômeda... Especialmente com ela. Além de ser frágil demais, não tinha respostas com total efeito para baixar a guarda do sonserino sórdido. Simplesmente provocá-la o dava uma falsa sensação de vitória e orgulho, embora soubesse claramente que por isso, passava uma certa imagem de insensível e covarde. Enfim... jamais ligara para isso, não seria desta vez que passaria a fazê-lo. Se importar com a opinião alheia nunca foi seu forte.
- Pra ser sincera, “queridinho”, eu estou devendo sim. Estou te devendo um soco no meio das fuças, pra acabar com esse seu rostinho lindo. Solta-me garoto! Você está me incomodando!
Novamente ele expressa um ar de completo descaso, fazendo uma sensação estranha e raivosa percorrer o corpo pequeno e de formato violão da garota briguenta ao seu lado. Sua face estava desdenhosa, duvidava e muito de que ela fosse fazer qualquer coisa. Uma cosquinha seria muito e olhe lá. A garota nunca o tocou, nunca teve coragem e peito para tal. Murrá-lo no nariz seria algo literalmente impraticável vindo dela, ainda mais por ser uma garota que sabidamente releva tudo, inclusive a pior das provocações. Se Andrômeda não tem coragem nem de pisar numa barata, quando menos teria em encostar sua mão naquele rosto duro e liso de Thomas.
- Faça-me rir... Black! – Gargalha com gosto, pedante e provocativa – Você? Me dar um soco no rosto? Ahn, nãããão... sério? – Pigarreia, fingindo estar chateado, tornando a falar num tom mais impostado, mais grave e rouco que o normal, praticamente forçando um ar sexy nas palavras que saíam assustadoramente doces e venenosas daquela boca pequena, mas capaz e muito de ferir. - Honestamente, você tem talento nato para trabalhar em circo. Ser palhaça é algo que grita tão forte dentro de seu ser, que chega a me emocionar. Não! É sério mesmo, nunca falei tanta verdade na minha vida. – Ri do ar ameaçador que a morena tenta forçar em seu olhar – E não é que desta vez você admite uma coisa! – Novamente bate palmas, desta vez de maneira exageradamente sarcástica. – Você acha meu rostinho lindo, muito obrigado. Eu também acho.
Era claro que o garoto não falaria a mesma coisa sobre Andrômeda. Estaria dando bandeira demais sobre algo que nem o próprio tem certeza.
- Se estou te incomodando, mais uma vez te pergunto: Por quê ainda está aqui? Os incomodados que se retirem. Vou logo avisando, estou muito à vontade aqui e não me retirarei, se é isso que desejas. Nunca fui de ceder aos caprichos de ninguém, portanto jamais cederei aos seus.
Eleva rapidamente ambas as sobrancelhas num ar autoritário e esnobe, voltando sua atenção novamente para o nada. Claro, se houvesse mantido sua boca devidamente fechada, o pouparia de mais uma cusparada de veneno dado de graça. A garota parecia tão transtornada ao ouvir Thomas rebaixar a condição mental de seu primo, que simplesmente o fez olhá-la com um ligeiro ar de quem não havia compreendido. Oras, se ele propriamente a xingava e degradava tão constantemente, por quê não reagia da mesma forma? Será que a ravina nutria algo mais pelo primo grifinório?
Tal pensamento fez com que o garoto meneasse a mente. Desde quando se preocupava com isso? Especialmente tendo sido um pensamento referente à garota ao seu lado. Thomas simplesmente esboçou uma expressão facial de quem havia tomado um trago de whisky velho, devido ao desgosto e infelicidade de pensamento.
- Ora, minha cara Andrômeda. Eu abro a boca para falar de quem eu bem quiser, que mal há nisso? Ah, sim... claro. Sentiu-se ofendida, pois foi de seu tão estimado primo pouco cérebro e muito músculo? Você sabe que falo a verdade... bem no fundo, você sabe. Então por quê sente-se tão chateada?
Ao ouvir aquele xingamento exageradamente infantil, Thomas não se agüenta de tanto rir. Simplesmente arqueia seu corpo parcialmente para frente, e apóia suas mãos nos joelhos. Antes de tornar a falar, o garoto eleva a mão esquerda como se estivesse pedindo mais um minuto para sua gargalhada descarada e sem piedade.
- Magricelo? Como você tem tanta certeza de que sou isso mesmo, se nunca me viu nu? Não abriria a boca para falar algo sobre o qual eu não sei. Eu tomaria mais cuidado ao proferir inverdades, menina Black. Sabia que isso é feio?
Faz cara de um adulto tentando educar uma criança, fazendo o bem conhecido bico e expressão falsamente chateada. Mais uma vez, era claro que a torturava com as mais variadas formas de agressão verbal e sequer se dava conta disso. Era tão natural, era um jeito tão seu, que simplesmente não controlava.
- Sabe por quê eu sempre estou na sua cola? Porquê você deixa. É tão fraca e patética, que somente brincar com seu psicológico me faz ganhar o dia. Fugir demonstra fraqueza. Se me peitasse com força e vontade, talvez fosse digna de meu respeito. E se eu estou aqui, não foi por que te segui. Afinal, tenho outras coisas a fazer, te perseguir apenas está no meio de todas as tarefas. Você é somente meu brinquedo, ainda não percebeu?
Sua última declaração nada delicada, não é de todo verdade. A garota não era somente seu objeto para travessuras de mau gosto. Era para sua íntima admiração... mesmo que fosse para insultá-la. Simplesmente nunca soube o que era agir com delicadeza.
- Se queres que eu me cale, Andrômeda... venha aqui... poste-se digna na minha frente e me cale. Esperas em vão que eu faça virar realidade este seu desejo por livre e espontânea vontade.
De fato, tomara as palavras da garota como um desafio. Se ela jamais havia tido a coragem de tocá-lo, queria pagar para ver se ela o faria agora. Somente ele havia se posto na obrigação de segurá-la inúmeras vezes... Queria ver se a morena seria tão digna como ele esperava que fosse. Estava duvidando muito. Estava esperando mesmo, que Andrômeda pusesse mais lenha na fogueira para como sempre, fugir.
- Você está duvidando que eu vá calar sua boca Lamberg? Se eu fosse você, não ficaria me desafiando.
- Não só duvido, como pago para ver. Pretende fazer o quê? Encostar novamente sua varinha na minha cara e conjurar algum feitiço bobo? Afinal, pelo que vejo, é somente isto que sabe fazer. Não sei como ainda cisma em andar com pencas de livros debaixo dos braços, se não os lê. - Falava tão cheio de si, que seria possível nutrir um maior desejo em esbofeteá-lo.
A imagem de uma corvinalense se aproximando tão devagar, com um ar de quem estava prestes a ganhar a batalha, deixava o teimoso e pedante sonserino muito ligeiramente desconcertado. Pagara para ver, agora teria de arcar com as conseqüências do que a menina faria. Suas sobrancelhas se arqueavam, denunciando um certo ar surpreso da parte de Thomas. O garoto permanecia encostado na árvore, milagrosamente calado, apenas observando. Estava por demais curioso, apesar de saber que cutucara a onça com a menor das varas.
– Tuuuudo bem então… Só não diga que eu não o avisei. – Novamente o rapaz arqueia uma das sobrancelhas, expressando nitidamente que a estava provocando com aquele sorriso tão irritante. Simplesmente dava sua cara a tapa.
De repente Andrômeda pára com suas passadas lentas e provocantes, não dando espaço ao sonserino para poder interpretá-la. O garoto semi-serra os olhos e franze o cenho, não captando completamente aqueles gestos praticamente copiados dos seus. Parecia uma víbora, de tão ardilosa aparentava ter se tornado. Aquela garota não admitia por nada neste mundo e no trouxa, mas tinha evidentes características de sua família. Não carregava aquele nome à toa.
Tal qual como uma cobra, a garota à sua frente dá o bote certeiro para cima de Thomas. Como não previa tal ato, o garoto arregala ligeiramente seus olhos e estende os braços para segurá-la. Foi tão de repente, que o pegou desprevenido.
Sabia que o intuito da garota era calar de uma vez por todas, sua boca... mas sequer havia passado por sua cabeça, a maneira com que ela o faria. A força do choque daquele corpo pequeno e curvilíneo fora tão forte, que fez com que a cabeça do sonserino batesse ainda que fracamente, no tronco da árvore. Os papéis se inverteram completamente naquele momento. Aquela história de que o rapaz é quem tem a obrigação de cortejar a moça simplesmente havia sido jogado no lago no meio daquele tanto de pedras que Andrômeda há muitos momentos antes, jogava. Ele é quem estava tendo um beijo roubado... não ela. Embora admitisse para si mesmo querer beijá-la, não o fazia... sabe-se lá por quê.
Aquele beijo tinha um “quê” de infantil e inocente que obviamente não partia de Thomas. De todas as bocas que já tocaram na sua, aquela era irritantemente especial. Após o choque inicial dos corpos e a dor na cabeça facilmente ignorada pelo sonserino, o mesmo a segurava de forma terna, entrelaçando seus longos e finos dedos, naqueles negros fios capilares que começavam a se anelarem novamente. Toda sua arrogância e petulância por um breve momento havia se esvaído. Sua língua era curiosa e ao mesmo tempo, insaciável... queria senti-la mais, ainda que por mero beijo. Retribuía toda aquela inocência, da mesma forma. O braço livre envolvia por completo, a cintura fina da menina. Seus dedos involuntariamente apertavam a pouca, porém macia carne na área dos quadris, passando a querer trazer seu corpo mais para perto do seu... como se fosse possível estreitar mais a inexistente distância dos dois.
Estranho, é o que se pode dizer da inexistente vontade em querer se controlar, uma vez que não precisava. Não pensava em joga-la no chão e terminar de consumar um ato que na maioria das vezes vem logo após o beijo. Se fosse uma garota qualquer que houvesse literalmente se jogado em seus braços, à essa altura o garoto já estaria com mãos naquilo e aquilo em mãos, ou nem isso... com aquilo em lugares bastante propícios.
Enfim, a beijava com uma desconhecida delicadeza, quase como tomando cuidado para não machuca-la mais do que já faz. Mordiscava lenta e fracamente seu lábio inferior, proporcionando à garota, uma sensação gostosa e talvez nova para ela. Passava suavemente a ponta de seus dedos por toda a extensão de suas costas, sentindo claramente aquele corpo moreno curvar parcialmente para trás e assim, se prensar mais contra o seu. Aquele beijo era quente, lento e úmido. Era possível ver os lábios de ambos brilharem mesmo com a pouca luz e sentir os pêlos dos braços se levantarem. Para quem não soubesse da eterna rixa entre ambos, poderiam jurar que era o casal mais apaixonado a pisar em Hogwarts.
Mesmo não durando tanto tempo quanto Thomas gostaria, foi um beijo capaz de deixa-lo com a cabeça a mil por hora. Sentía-se atordoado, lerdo, embasbacado e por um ótimo motivo. Motivo pelo qual não faria questão de protestar, se não fosse o tapa recebido logo em seguida pela mesma garota que roubara um beijo seu.
Com a força do tapa, seu rosto virou para o lado direito e permaneceu assim apenas para dar tempo ao garoto em processar aquele mundo de informações. Sua respiração já ofegante por conta do beijo, tornara-se pesada... típico de alguém já tomado pela raiva, prestes a se vingar naquele exato momento.
Thomas lentamente volta seu rosto com uma expressão facial nada amigável, em direção a uma Andrômeda de olhos arregalados, ainda não acreditando no que fez... não acreditando em ambos atos feitos.
- VOCÊ ESTÁ LOUCA!? NÃO, NÃO ESTÁ... JÁ É! COM QUE MORAL ACHA QUE PODE ME ROUBAR UM BEIJO... ALGO QUE NÃO DISTRIBUIO ASSIM DE GRAÇA... E DEPOIS VEM ME DAR UM TAPA!? DESSA VEZ EU NÃO FIZ NADA, E AINDA ASSIM ME BATE? PERDEU A NOÇÃO DO PERIGO, GAROTA!?
Gritava alto, simplesmente cagando e andando caso tivesse pessoas próximas ao lago e claro, pela enorme curiosidade e falta de critério, se aproximariam para ver a nova briguinha dos dois.
O moreno praticamente espumava de raiva... estava louco para pegar sua varinha e finalmente agredi-la fisicamente. Mas não... como sempre, se contém e respira fundo. Ainda não tinha o intuito em se dar uma bonita expulsão de Hogwarts.
Mesmo depois daquela gritaria, Andrômeda permanecia a olha-lo atordoada, descrente do que fez. Parecia em transe, devido àquela maneira fixa de olhar, lábios entreabertos e respiração rápida. Assim como ela, Thomas respirava rápido, pesado... estava irracional. Tanto que novamente a segura pelo braço antes que a garota intensionasse ir embora e a puxa fazendo aquele corpo já sensorialmente quente bater contra o seu. Torna a beija-la à sua maneira, mesmo que ainda permanecesse com o resquício inocente de Andrômeda colado em seus lábios e fazendo de sua língua, uma pista de patinação. Aquele misto de sensações era demasiado novo para o sonserino egoísta e hipócrita. Tão novo, que faria tudo de novo só para sentir aquele frenesi. A beijava forte, e com vontade. Andrômeda parecia gostar, devido às brincadeiras que fazia com a ponta da língua em seus lábios naturalmente rosados, e as mordiscadas que aprendêra com ele a momentos antes. Ambos estavam tão confortáveis um com o outro, que mal pareciam o garoto de Sonserina a disparar venenos e a ravina de Corvinal, a desferir bicadas.
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